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Ao sair de casa...


Ontem fui a um Banco com minha mãe resolver umas coisas. Impressionante como é só sair de casa para as coisas acontecerem. Estávamos a pé, ela a pé e eu sobre rodas rsrsrsrsrs e ainda por cima com a motorizada que não estava a todo vapor, meia lenta. O comando precisa de uma revisão urgente.

Chegando ao banco me deparei com a plataforma elevatória com defeito. Na mesma hora apareceram pessoas querendo me colocar no andar de destino pela escada mesmo. Criei uma resistência momentânea por estar com a motorizada que é muito pesada, mas os homens fizeram questão de me carregar de cadeira e tudo, mesmo eu explicando que a motorizada era muito pesada.  A sorte deles é que sou leve.

Se todos os locais tivessem acessibilidade e funcionassem de fato como deveria ser não haveria esse desconforto. O que acontece é que por ser de pouco uso, a má funcionalidade acontece pela falta de revisão dos equipamentos. Aí quando aparece um "necessitado" pelo serviço não é possível utilizar. A ajuda de boa vontade é bem vinda, mas se podemos e temos esse direito de sermos independentes que coloquem isso em prática.

Pois bem, resolvemos tudo e na saída pra minha surpresa a plataforma já estava funcionando. Fomos ao supermercado comprar umas besteiras pra lanchar na parte da tarde. Acabamos saindo de lá com muitas sacolas, algumas no meu colo.

Apesar de não ser cabide, não vejo problema algum em carregar algumas sacolas, isso me torna útil também. O que acabo achando desagradável, é quando as pessoas que estão em algum lugar junto com você, começam a pendurar casacos, bolsas e outros utensílios pessoais que não faz parte da extensão do seu corpo, no nosso caso a cadeira de rodas.

A caixa achava que não ia dar pra gente sair de lá carregando tudo. Mais deu e respondi a ela que para tudo nessa vida se dá um jeito. Ela deu um sorriso e fomos embora pela calçada cidadã inaugurada a pouco tempo até chegar na minha rua de paralelepípedos, onde as trepidações não são poucas, e para quem tem pouco equilíbrio é um risco constante. Esse risco se estende aos idosos que ficam passíveis de tropeções e quedas também.

Uma via sacra mesmo, mas que me satisfaz pelo simples fato do meu corpo estar em movimento. Lógico que poderia me satisfazer muito mais se não tivesse que enfrentar os malditos paralelepípedos que por sinal deveriam ser extintos de qualquer área pública – no lugar deles poderíamos colocar quebra molas ou até mesmo um paralelepípedo descente, todo nivelado. Fica aí a sugestão.

Comentários

  1. oie, adorei seu cantinho, seu post nos leva a ficar indignada, por tanto descaso em todo lugar, só por Deus, ainda por cima tem pessoas que não espeita a cadeira e querem se apoiar nela ou colocar alguma coisa,por isso que é bom vc escrever, quem sabe esse post chegue a uma pessoa que se toque que esta a fazer algo desagradavel , tem vez que pode ser até sem pensar,mas vale o toque né, vc é uma doçura mesmo, bj princesa

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  2. Oii Elaine!!! Adorei o post!!! Nossa também odeio quando penduram coisas na minha cadeira, mais umas sacolas pra carregar não faz tanto mal assim, penso como você, de alguma forma nos tornamos úteis... hehe E os paralelepípedos, nossa não deveriam existir mesmooooooo... hehe Você é sensacional!!! adorei! Bjs!

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