segunda-feira, 18 de junho de 2012

Ser cadeirante...


Pessoal, o texto abaixo está circulando na internet e achei pertinente postar aqui. É fato e muitas pessoas desconhecem o assunto, ás vezes por não conviverem com um cadeirante e não saberem lidar com uma situação, outras por ignorância, e a maior parte por descaso e desrespeito do próprio Estado de oferecer uma estrutura adequada para que a gente possa viver com mais dignidade. Boa leitura!  
Ser cadeirante é ter o poder de emudecer as pessoas quando você passa… Ser cadeirante é não conseguir passar despercebi­do, mesmo quando você quer sumir! E ser completamente ignorado quando existe um andante ao seu lado. E isso não faz sentido, as pernas e os braços podem não estar funcionando bem, mas o resto está!


Ser cadeirante é amar ele­vadores e rampas e detestar escadas… Tapetes? Só se fo­rem voadores, por favor! Ser cadeirante é andar de ônibus e se sentir como um “Power Ranger” a diferença é que você chega ao ponto e diz: “é hora de MOFAR”.


Ser cadeirante é ter al­guém falando com você como se você fosse criança, mesmo que você já tenha mais de duas décadas. Ser ca­deirante é despertar uma cor­dialidade súbita e estabanada em algumas pessoas. É en­graçado, mas a gente não ri, porque é bom saber que, ao menos, existem pessoas tentando nos tratar como iguais e uma hora eles aprendem!
Ser cadeirante é conquis­tar o grande amor da sua vida e deixar as pessoas im­pressionadas… E depois ficar impressionado por não en­tender o porquê do espanto. Ser cadeirante é ter uma veia cômica exacerbada. É fato, só com muito bom humor pra tocar a vida, as rodas e o povo sem noção que aparece no caminho.
Ser cadeirante e ficar grá­vida é ter a certeza de ouvir: “Como isso aconteceu?” Foi a cegonha, eu não tenho dú­vidas! Os pés de repolho não são acessíveis! Ser cadeiran­te é ter repelente a falsidade. Amigos falsos e cadeiras são como objetos de mesma po­laridade se repelem automati­camente.
Ser cadeirante é ser em­purrado por aí mesmo quan­do você queria ficar parado. É saber como se sentem os car­rinhos de supermercado! Ser cadeirante é encarar o absur­do de gente sem noção que acha que porque já estamos sentados podemos esperar, mesmo! Ser cadeirante é uma vez na vida desejar furar os quatro pneus e o estepede quem desrespeita as vagas preferenciais.
Ser cadeirante é se sen­tir uma ilha na sessão de ci­nema… Porque os espaços reservados geralmente são um tablado, ou na turma do gargarejo e com uma distân­cia mais que segura para que você não entre em contato com os outros andantes, mes­mo que um deles seja seu cônjuge!
Ser cadeirante é a cer­teza de conhecer todos os cantinhos. Por que Deus do céu,todo mundo quer arru­mar um cantinho para nós? Ser cadeirante é ter que com­prar roupas no “olhômetro” porque na maioria das lojas as cadeiras não entram nos provadores. Ser cadeirante é viver e conviver como o fantasma das infecções urinárias. E desconfio seriamente que a falta de banheiros adaptados contribua para isso.
Ser cadeirante é se sentir o próprio guarda volumes ambulante em passeios pelo shopping. Ser cadeirante é curtir handbike, surf, basque­te e outras coisas que deixam os andantes sedentários morrendo de inveja. Ser cadeiran­te é dançar maravilhosamen­te, com entusiasmo e colocar alguns “pés-de- valsa” no bol­so… Ser cadeirante é ter um colinho sempre a postos para a pessoa amada. E isso é uma grande vantagem! Ser cadei­rante (e mulher) é encarar o desafio de adaptar a moda pra conseguir ficar confortá­vel além de mais bonita. Ser cadeirante é se virar nos trinta para não sobrar mês no fim do dinheiro, porque a conta básica de tudo que um ca­deirante precisa… Ai… Ai …Ai… Essa merece ser chamada de “dolorosa”.
Ser cadeirante é deixar um montão de médicos com cara de: “e agora o que eu faço”? Quando você entra pela por­ta do consultório. Algumas vezes é impossível entrar, a cadeira trava na porta. Ser cadeirante é olhar um corri­mão ou um canteiro no meio de uma rampa, ou se depa­rar com rampas que acabam em um degrau de escada e se perguntar: Onde estudou a criatura que projetou isso? Será mesmo que estudou?
Ser cadeirante é ir à praia mesmo sabendo que cadei­ras mais areia mais maresia não são uma boa combina­ção! Ser cadeirante é sentir ao menos uma vez na vida von­tade de sentar no chão e jogar a cadeira na cabeça de outro ser humano, que esqueceu a humanidade no fundo da ga­veta de casa!
Ser cadeirante é ter os sentidos aprimorados. Não perdemos os sentidos, so­mos pessoas que perderam os movimentos. Somos pes­soas que ganharam braços mais fortes, audição mais aguçada que a do super-cão e olhos de águia, que en­xergam de longe a falta de acessibilidade gritante, mes­mo quando acham que está bem camuflada. Ser cadei­rante é “viver e não ter a ver­gonha de ser feliz”, mesmo quando as pessoas olham para a cadeira e já esperam ansiosas por uma historinha triste.
Nailde Silva

9 comentários:

  1. Oi Elaine. Muito bom esse texto, claro que eu já tinha lido e acho que a autora traduziu bem com as suas palavras o que é realmente ser cadeirante. Muitas coisas aí acontecem de verdade nas nossas vidas!!! Eu adoro a parte do amor e da gravidez... Haha As pessoas ainda têm essas ideias retrogradas sobre nós, que é uma pena!!! Beijos! :)

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  2. Olá Elaine. O texto é muito bom e completo, porém pertence a Nailde Silva do blog dEficiente Sim, Incapaz Nunca!, no link: http://deficientesimincapaznunca.blogspot.com.br/2011/10/ser-cadeirante-e.html#comment-form.
    Só pra esclarecer, ok! Abraço!

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  3. Oi Tuigue, por existir pessoas com essas idéias retrógradas que acho importante difundir esse tipo de informação.

    Olá Agno, o texto está circulando com o nome acima. Mas já vou alterar e colocar os devidos créditos. Obrigada.

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  4. Menina!

    O texto é muito bom mesmo!
    Eu ri muito porque me vi partes deles :)

    Vou postar no meu blog.

    Como eu deletei meu blog no Blogger, fiquei afastada dos blogs daqui. Mas hoje eu salvei a página do Google Reader, daí vou voltar a ter um acesso a todos que eu sigo.

    Beijão,

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  5. Sou cadeirante e o texto reflete com bastante propriedade nossos sentimentos. Parabéns pelo texto.

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  6. cara arrasou no texto !...sou cadeirante é assim mesmo o é maravilhoso .....

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  7. OLÁ ADOREI SEU BLOG.
    SE QUISER PODE ME ADICIONAR NO FACE http://www.facebook.com/#!/aninhaenz
    ADORARIA TC MAIS COM VC

    ABRAÇO... ANA

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  8. joselitosobrerodas@gmail.com Oi querida estol a 2 anos na condições de cadeirante nuca tinha reparado mais os predios publicos na periferia pocos tem causada com acessibilidade se o governo não noa respeita oque disser dos outros a voz do blog não pode calar.

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