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Entrevista cedida para a Rádio CBN Vitória

Mais uma vez estou aqui para descrever o que penso do mercado de trabalho para PCDs (Pessoas com Deficiência). 

Seguem algumas considerações e logo abaixo segue o link de uma pequena entrevista cedida para a rádio CBN Vitória.

Ainda existe muito desconhecimento quando se trata de empregar um PCD. É claro que cada caso é um caso quando se fala da condição de um deficiente. 

As empresas de recrutamento e seleção precisam ter um olhar diferenciado no processo seletivo. 

Não pode-se negar a questão de adaptação do espaço físico e até mesmo na recepção dos colegas de trabalho em um novo emprego, respeitando e aprendendo lidar com seus limites físicos para que ele tenha a necessária autonomia nas suas tarefas diárias. 

Somente assim abre-se um leque de oportunidades para que o deficiente se sinta não só ciente de suas obrigações mas que também seja colocado num patamar de igualdade com os demais, não sendo apenas um colaborador e sim um colaborador em potencial.

Mas ainda não chegamos nesse nível de compreensão. A lei de cotas, que obriga as empresas ter um número x de deficientes no seu quadro de colaboradores de acordo com a quantidade de empregados, é necessária porém insuficiente. 

Os empresários acabam empregando o deficiente por uma exigência senão são multados e então o que acontece? Acabam tendo uma visão errônea e limitadora. 

Empregam os deficientes em cargos secundários (mesmo aqueles que já tem até duas faculdades) com um salário base mínimo e com isso eles não conseguem cumprir a lei de cotas porque os deficientes acabam optando pela aposentadoria e complementando a renda com trabalhos informais e até mesmo se dedicando a estudar para concursos públicos. 

E é o empresariado que perde com tudo isso que por optar por contratar os deficientes nessas condições repito, não conseguem cumprir com a lei de cotas e acabam tendo que desembolsar uma quantia bem maior, uma multa pesada. 

Nesse cenário atual o deficiente não tem nenhum estímulo para arrumar um emprego no mercado de trabalho formal pelo contrário se torna desestimulante saber que num trabalho informal sua renda pode ser bem melhor.

Estamos caminhando mas a passos lentos. Ainda é preciso avançarmos nessa concepção e oferecer cargos e salários compatíveis com o nível de estudo e experiências do deficientes de acordo com os demais. 

Comentários

  1. Oi, Elaine!
    Mesmo que lentamente, está caminhando... A população precisa ser esclarecida, pois na maioria das vezes, o deficiente acaba vivendo à margem da sociedade porque essa sociedade não sabe como conviver com o deficiente. Assim, o deficiente precisa exigir dos gestores, uma visibilidade maior para si, não somente com cotas de trabalho, mas com facilidade de acesso pelas vias públicas para que ele possa melhor transitar. Tenho um enteado deficiente visual e ele sente muita dificuldade quando sai de casa, o que dirá quando chegar o tempo de trabalhar!
    Aproveito para lhe convidar a participar do 7º BookCrossing Blogueiro.
    Vem com a gente!!
    Beijus,

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  2. Sim Lum é isso mesmo. A luta continua. Abçs!

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